segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

RimBaud - Fragmentos

O saisons, ô châteaux!
Quelle âme est sans défauts?

J' ai fait la magique étude
Du Bonheur, qu' aucun n' élude.

Salut à lui, chaque fois
Que chante le coq gaulois.

Ah! je n' aurai plus d' envie:
Il s' est chargé de ma vie.

Ce charm a pris âme et corps,
Et dispersé les efforts.

O saisons, ô châteaux!

L' heure de sa fuite, hélas!
Sera l' heure du trépas.

O saisons, ô châteaux!


Arthur Rimbaud (1854 - 1891)


Oh estações, oh castelos!
Que alma é sem defeitos?

Eu estudei a alta magia
Do Amor, que nunca sacia.

Saúdo-te toda vez
Que canta o galo gaulês.

Ah! Não terei mais desejos:
Perdi a vida em gracejos.
Tomou-me corpo e alento,
E dispersou meus pensamentos.

Ó estações, ó castelos!

Quando tu partires, enfim
Nada restará de mim.

Ó estações, ó castelos!

Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

Mário de Sá-Carneiro

Descobrimento - Mario de Andrade


Poemas de Mario de Andrade


Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

Mário de Andrade

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cisne Negro

A saga do Prêmio Nobel - A teoria quântica - Parte 1

Frase

É preciso coragem
para que o medo não seja rei.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A descoberta - Oswald de Andrade

Tiziano, Mulher ao espelho

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.


(Oswald de Andrade: in Poesias Reunidas.
Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)

Canto de regresso à pátria - Oswald de Andrade

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova, detail


Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.


(Oswald de Andrade: in Poesias Reunidas.
Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)

Florianópolis - Yoga - Ana Lua

Ana Lua canta Gayatri Mantra acompanhada de movimentos de Yoga (Saudação ao Sol) realizados na praia da Joaquina, Florianópolis-SC.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Estante de livros

Planejando uma estante de livros, para colocar novos livros (livros de teatro: beckket, brecht, staninslaviski), (de poesia: rimbaud, verlaine, goethe, drummond, pessoa, blake), entre outros. Qual escolher?




COME SLOWLY, EDEN! - Emily Dickinson

COME slowly, Eden!
Lips unused to thee,
Bashful, sip thy jasmines,
As the fainting bee,

Reaching late his flower,
Round her chamber hums,
Counts his nectars--enters,
And is lost in balms!

Emily Dickinson (1830-1886)

Bashful - tímido
Bee - abelha

Walt Whiltman - A child said, What is the grass?

A child said, What is the grass? fetching it to me with full
hands;
How could I answer the child?. . . .I do not know what it
is any more than he.

I guess it must be the flag of my disposition, out of hopeful
green stuff woven.

Or I guess it is the handkerchief of the Lord,
A scented gift and remembrancer designedly dropped,
Bearing the owner's name someway in the corners, that we
may see and remark, and say Whose?

Or I guess the grass is itself a child. . . .the produced babe
of the vegetation.

Or I guess it is a uniform hieroglyphic,
And it means, Sprouting alike in broad zones and narrow
zones,
Growing among black folks as among white,
Kanuck, Tuckahoe, Congressman, Cuff, I give them the
same, I receive them the same.

And now it seems to me the beautiful uncut hair of graves.

Tenderly will I use you curling grass,
It may be you transpire from the breasts of young men,
It may be if I had known them I would have loved them;
It may be you are from old people and from women, and
from offspring taken soon out of their mother's laps,
And here you are the mother's laps.

This grass is very dark to be from the white heads of old
mothers,
Darker than the colorless beards of old men,
Dark to come from under the faint red roofs of mouths.

O I perceive after all so many uttering tongues!
And I perceive they do not come from the roofs of mouths
for nothing.

I wish I could translate the hints about the dead young men
and women,
And the hints about old men and mothers, and the offspring
taken soon out of their laps.

What do you think has become of the young and old men?
What do you think has become of the women and
children?

They are alive and well somewhere;
The smallest sprouts show there is really no death,
And if ever there was it led forward life, and does not wait
at the end to arrest it,
And ceased the moment life appeared.

All goes onward and outward. . . .and nothing collapses,
And to die is different from what any one supposed, and
luckier.

Walt Whitman

handkerchief - lenço
scented - perfumado
goes onward - vai para frente
luckier - mais sorte
the faint - o fracos
prouts - brotos

Edgar Allan Poe - Raven

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door-
Only this, and nothing more."

(Primeira Parte de "Raven" de Edgar Allan Poe)

dreary - triste
pondered - ponderei
weary - cansado
a quaint - uma pitoresca
lore - conhecimento
a tapping - uma batida

Filme - José e Pilar (José Samarago)

Mais um trailer de um filme interessante (ainda não assisti), sobre a vida desse escritor.


Filme Ensaio Sobre A Cegueira (Ceguera - Blindness) - Trailer Oficial

O filme conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" — assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa — manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.